O jornal Diário Catarinense divulgou esta semana [domingo] pesquisa de opinião elaborada pelo Instituto Mapa, realizada entre os dias 23 e 27 de setembro, com amostragem de 1.204 eleitores, tendo margem de erro de 2.8 percentuais. Vamos pontuar algumas questões que consideramos importantes para entender um pouco mais sobre o processo que levará à escolha do novo governador de Santa Catarina:
Cenário: Estado de Santa Catarina
Tempo Cronológico: outubro de 2010
Tempo Histórico: sucessão do Governo LHS
Acontecimento: projeção da eleição para o Governo em 2010
Atores: Leonel Pavan [PSDB], Angela Amin e Hugo Biehl [PP], Raimundo Colombo [DEM], Ideli Salvatti [PT], Dário Berger e Eduardo Pinho Moreira [PMDB], Gerson Basso [PV], Maneca Dias [PDT], Afrânio Boppré [PSOL].
1 – todos os cenários mostram que a conjuntura política está completamente em aberto no Estado de Santa Catarina, uma vez que o número de votos em branco/nulo e não sabe/não respondeu está entre 31,4% e 53,9% do total dos votos. São índices suficientes para assegurar a eleição a qualquer um dos postulantes.
2 – a combinação dos atores em todos os cenários considerou como definitiva a Tríplice Aliança entre PMDB/PSDB/DEM com a utilização de 2 vezes de ator do PSDB, 4 vezes atores do PMDB e 2 vezes ator do DEM. Também foi considerada a aliança entre PDT [3 vezes], PV [3 vezes] e PSOL [2 vezes]. PP teve dois atores utilizados oito vezes. PT um ator utilizado 8 vezes. Portanto, não foi considerada a possibilidade da coligação PP/PT.
3 – Ideli Salvatti foi beneficiada por ter sido incluída em todos os cenários, capitalizando as ausências de adversários próximos ou possivelmente coligados no segundo turno, como é o caso da ausência de Angela Amin em quatro oportunidades.
4 –Ficou demonstrada a inviabilidade eleitoral de Hugo Biehl e, também, que a ausência de Angela no cenário beneficia Ideli Salvatti. Com Angela o aproveitamento médio de Ideli é de 22,3%. Esse aproveitamento sobe para 26,6% quando Ideli concorre em cenário sem Angela.
5 – a coligação, no primeiro ou segundo turnos, entre PP e PT tende a definir a eleição.
6 – a Tríplice Aliança parece não conseguir depositar sua força em apenas um candidato. Ou, pior, a força da Tríplice Aliança é menor que as forças isoladas do PP ou do PT.
7 – os quatro principais atores são: Angela Amin, Ideli Salvatti, Raimundo Colombo e Leonel Pavan.
8 – Angela não transfere votos para Hugo Biehl.
9 – o PMDB está completamente fora do páreo.
CENÁRIO I
Angela- 26,6% // Leonel- 20,6 % // Ideli– 19,6% // Gerson – 1,7% // Indeciso– 31,4%
Angela e Leonel tiram votos de Ideli. Num provável segundo turno entre Angela e Pavan, os petistas ficariam com Angela. Portanto, esse é o cenário ideal para Angela Amin. Demonstra a inviabilidade eleitoral de Gerson Basso. O mais importante é o grande número de votos branco/nulo e indecisos.
CENÁRIO II
Ideli– 24,5% // Raimundo– 24,2% // Hugo– 5,8% // Afrânio– 3,1% // indec. – 42,5%
Um cenário bipolarizado entre Ideli e Raimundo tem resultado imprevisível. Hugo Biehl não herda os votos de Angela. Um número expressivo de votos volta para o bailão dos indecisos, o que demonstra que são votos cativos de Angela. Demonstra a inviabilidade eleitoral e Afrânio Boppré. O mais importante é o grande número de votos branco/nulo e indecisos.
CENÁRIO III
Angela– 29,5% // Ideli– 23,6% // Eduardo– 6,6% // Maneca– 1,1% // Indec. – 39,2%.
Demonstra a inviabilidade eleitoral de Eduardo Pinho Moreira e de Maneca Dias. A bipolarização entre Angela e Ideli beneficia Angela. A Tríplice Aliança transfere parte do seus votos para a progressista. Não é o melhor cenário nem para Angela, nem para Ideli, porque terão de buscar votos na Tríplice Aliança no segundo turno. O mais importante é o grande número de votos branco/nulo e indecisos.
CENÁRIO IV
Ideli– 27,2% // Dario- 12,9% // Hugo- 7,6% // Gerson- 2,8% // Indecisos – 49.6%.
Demonstra que Ideli Salvatti possui um teto eleitoral próximo de 30%. Porque independente de quem é o adversário ela não consegue ultrapassar essa marca, nem mesmo na ausência de Angela. A ausência de outro nome de peso não aumenta muito os votos de Ideli, mas coloca muitos votos no balaião dos indecisos. A votação de Dario Berger comprova que o PMDB é completamente dependente de Luis Henrique da Silveira, assim como o PP é dependente do casal Amin. O mais importante é o grande número de votos branco/nulo e indecisos.
CENÁRIO V
Angela- 24,8% // Ideli- 22,6% // Raimundo- 19,1% // Maneca- 0,3% // indecis.- 33,2%.
Em um cenário tripolar o número de indecisos cai significativamente. O cenário fica indefinido com tendência a um segundo turno entre Angela e Ideli. A vantagem é de Angela, pelo voto de Raimundo ser de tendência ideológica de direita. Raimundo Colombo demonstra que tem viabilidade eleitoral mesmo no cenário mais complexo. O mais importante é o grande número de votos branco/nulo e indecisos.
CENÁRIO VI
Ideli- 25,7% // Leonel- 20,8% // Hugo- 6,9% // Afrânio- 2,2% // indecisos- 43,4%.
Novamente um cenário bipolar, sem a participação de Angela, coloca um grande número de votos no balaião dos indecisos. Pavan demonstra que tem viabilidade eleitoral tanto em um cenário bipolar como em um cenário mais complexo [ver cenário I]. O mais importante é o grande número de votos branco/nulo e indecisos.
CENÁRIO VII
Angela- 27,5% // Ideli- 23,7% // Dário- 9,2% // Gerson- 1,9% // indecisos- 37,7%.
No sétimo cenário fica definitiva a idéia de que a conjuntura está favorável a apenas quatro atores: Angela, Ideli, Pavan e Colombo. Dário, Gerson, Maneca, Boppré, Pinho Moreira e Hugo Biehl são coadjuvantes. Em cenário onde a disputa fica direta entre Angela e Ideli a votação de Esperidião Amin e Luis Henrique da Silveira, para o Senado, pode ter influência no segundo turno. O mais importante é o grande número de votos branco/nulo e indecisos.
CENÁRIO VIII
Ideli- 29,1% // Hugo- 8,3% // Eduardo- 7,5% // Maneca- 1,2% // indecisos- 53,9%.
Em um cenário simplificado, com apenas um ator [de quatro possíveis] estar participando, aumenta o número de indecisos numa proporção muito maior do que aumenta os votos da senadora Ideli Salvatti. Diante da opção única de votar em Ideli cerca de 20% do eleitor ficou indeciso. O mais importante é o grande número de votos branco/nulo e indecisos.
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