Thiago Floriano

DEFESA CIVIL [ONDE JÁ SE VIU ?]

Em Uncategorized, 29/09/2009 às 23:36

Eu fico impressionado com a nossa INcapacidade para resolver problemas que afetam nossa sociedade como um todo. Desde 1851, menos de um ano após a chegada dos imigrantes alemães na Colônia Blumenau, ocorreu a primeira enchente no Vale do Itajaí que foi devidamente registrada pela civilização branca. Um ano após a esta primeira enchente, ocorreu a grande enchente de 1852 com o rio subindo a dezesseis metros e meio. De lá para cá, ciclicamente o rio causa transtornos de toda sorte, inclusive tirando muitas vidas de nossos cidadãos.

Foram cerca de 80 enchentes grandes, com medições do rio Itajaí-açu acima de 8 metros. 80 oportunidades de aprendermos. 80 oportunidades de resolvermos o problema. 80 oportunidades de mostrarmos que o Estado cobra impostos sobre impostos, mas nos dá proteção e respostas rápidas aos nossos principais dilemas. 80 oportunidades de termos vergonha na cara. Mas, infelizmente, continuamos sofrendo com as enchentes do rio Itajaí-açu. Pior. Muito pior. A cada nova enchente, todos indistintamente, ficam surpresos com a fúria da natureza. Que Fritz Muller mostrasse em seus relatos a surpresa com a fúria das águas do Itajaí-açu, tudo bem. Mas, nossas autoridades, e nós próprios, mostrarmos surpresa com mais uma enchente é falta de seriedade. É falta de vergonha na cara.

Picos de cheias registradas no município de Blumenau superiores a 8,50m

Ano

Data

Cota(m)

Ano

Data

Cota(m)

Ano

Data

Cota(m)

1852

29.10

16.30

1933

04.10

11.65

1971

09.06

10.10

1855

20.11

13.30

1935

24.09

11.40

1972

02.08

10.80

1862

11

9.00

1936

06.08

10.15

1972

29.08

11.07

1864

17.09

10.00

1939

27.11

11.20

1973

25.06

11.05

1868

27.11

13.30

1943

03.08

10.25

1973

28.07

9.10

1870

11.10

10.00

1946

02.02

9.20

1973

29.08

12.24

1880

23.09

17.10

1948

17.05

11.60

1975

04.10

12.40

1888

23.09

12.80

1950

17.10

9.20

1977

18.08

9.00

1891

18.06

13.80

1953

01.11

9.40

1978

26.12

11.15

1898

01.05

12.80

1954

08.05

9.30

1979

10.05

9.75

1900

24.05

12.80

1954

22.11

12.28

1979

09.10

10.20

1911

29.10

9.86

1955

20.05

10.36

1980

22.12

13.02

1911

02.10

16.90

1957

22.07

9.10

1983

04.03

10.35

1923

20.06

9.00

1957

02.08

10.10

1983

20.05

12.46

1925

14.05

10.30

1957

18.08

12.86

1983

09.07

15.34

1926

14.01

9.50

1957

16.09

9.24

1983

24.09

11.50

1927

09.10

12.30

1961

12.09

10.10

1984

07.08

15.46

1928

18.06

11.76

1961

30.09

9.40

1990

21.07

8.82

1928

15.08

10.82

1961

01.11

12.18

1992

29.05

12.80

1931

02.05

10.70

1962

21.09

9.04

1992

01.07

10.62

1931

14.09

10.90

1963

29.09

9.42

1997

01.02

9.44

1931

18.09

11.28

1966

13.02

9.82

2001

01.10

11.02

1932

25.05

9.85

1969

06.04

9.89

2008

24.11

10.32

FONTE: Banco de Dados do CEOPS, 2001

 

Agora, se olharmos o quadro das enchentes no período entre 1850 e 2001 vamos pensar o óbvio sobre tudo. Vamos nos perguntar sobre os motivos que nos levam a não ter pelo menos uma Defesa Civil descente e atuante. Ouvi dia desses o novo diretor geral da Defesa Civil de Itajaí dizendo que o trabalho está começando e que tudo está indo muito bem. Meu Deus do céu, século e meio depois de Fritz Muller relatar a enchente de 1851 estamos começando a montar nossa Defesa Civil? Parece a história de Sisifus ou de Prometeu Acorrentado … Pior, é como se nossa consciência coletiva tivesse apagões cíclicos, esquecendo da enchente anterior, fazendo com que cada nova enchente nos parecesse sempre a primeira, e por isso sempre inédita, inesperada, surpreendente.

Por que uma enchente ainda nos surpreende? Por que ainda estamos montando nossa Defesa Civil? Por que ainda nos consideramos inteligentes?

  1. Chiclete já pensou se todos fossem na defesa civil, dar cada um sua idéia???
    A gente precisa é que o governo eleito para isso faça um serviço competente. o resto é desculpa!

  2. Caro amigo Magrú…

    Concordo com o discorrido pelo amigo, em parte apenas.

    Não obstante o amigo ter embasado o presente artigo somente nos índices registrados de cotas de maré, o que ainda manifestamente nos deixa surpresos é o fato constante em dados não explicitados, quais sejam: o crescente índice de mortes e os deslizamentos em grande escala. Estes aspectos é que nos deixaram perplexos.

    É cediço de que a natureza se comporta e se mostra por “ciclos”, conforme bem evidenciado pelo amigo nos dados ostentados no artigo. Porém, cada ciclo – somado ao fato de fenômenos naturais relativamente atuais como “El Niño” e “La Ninã”- se dispõe de maneira relativamente inovada a quem está sendo vitimizado. Se em 1983 o fenômeno da época causou a erosão do leito do Rio Itajaí-Açú, açoriando-o na totalidade de seu leito, desta vez (2008) provocou mortes com o desbarrancamento do Morro do Baú (Ilhota), soterrando comunidades inteiras e provocando mortes às dezenas.

    Portanto, não é o evento “enchente” que ainda impressiona tanto os cidadãos e as autoridades administrativas. Mas, sim, o cógito ou resultado do que exatamente o próximo evento poderá causar e vitimar.

    Entrementes, não se “montou” uma Defesa Civil por agora, conforme declinado. Basta rememorarmos que no ano imediatamente pretérito de 2008, se dispunha tendo como Coordenador o senhor Sérgio Burgonovo, contando ainda com a participação do Pastor Plínio, entre tantos outros.
    O que foi providenciado atualmente à título de Defesa Civil foi uma reestruturação ordenada, com intuito de alargar nos seus quadros de atuação a participação efetiva de toda a administração, mediante nomeação de pessoas-chave de todas as Secretarias Municipais e afins, bem como de um corpo técnico capacitado.

    Por fim, vale lembrar que o órgão da Defesa Civil não é “vidente”. Portanto, fixa-se a presunção de que tem atuação no pós-tragédia.

    As críticas são iminentes e efetivas neste momento de época de chuvas, porém, se todos os que reclamassem da atuação da Defesa Civil contribuíssem comparecendo em sua sede e explanando suas sugestões, ou mesmo colocando-se à inteira disposição voluntariamente para o referido órgão, a coisa seria bem diferente.

    Como ilustração, deixo o exemplo: Não adianta reclamar do Sarney deitado no sofá.

    Um forte e fraterno abraço!!!

  3. Um grande problema é a ocupação das áreas de risco, ribeirinhas. É necessário um trabalho urgente para o remanejamento destas famílias para locais seguros. Um programa de habitação sério, e uma fiscalização rígida para que essas áreas não venha ser novamente ocupadas.

  4. Magru,
    Existem fatores contrários a nossa vontade que não permitem que essa “indefesa incivil” funcione de forma preventiva e emergencial, ou seja:
    1) O uso e ocupação do solo nas faixas marginais de preservação permanente dos rios, em áreas baixas, que ecologicamente, servem de zona de amortecimento para espraiar os níveis da cota batimétrica que excedem nas grandes enchentes. Resumindo: estas app´s tem que ser mantidas com vegetação de mata ciliar e não com ocupação humana.
    2) Quando o volume de águas das chuvas é muito elevado nas cabeceiras dos rios e afluentes, agrega-se às precipitações pluviais em Itajaí, combinando de forma negativa com a elevação das marés de lua; o represamento do curso de água provoca as inundações. Resumindo: não tem defesa civil e nem governos que consigam baixar a maré no oceano para vazar mais rápido a carga de água acumulada na calha do rio em sua desembocadura no encontro das águas dos rios com o mar.
    3) A visão para minimizar estas tragédias tem que ser holística, envolvendo durante todo o ano, 24 horas por dia, todos os órgãos do governo municipal, estadual e federal, sob pena de adotar aquela frase gauchesca: “Não se pode conservar carne podre com sal”.

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